08/09/2011

POLEGAR

QUEM DIRIA.....O TÃO FAMOSO POLEGAR,FAZ MUITO BEM!!!! SIM ELE NÃO SERVE SOMENTE COMO PARTE DA MÃO MAS COMO AJUDA NO DESENVILVIMENTO  DOS JOVENS(EU TAMBEM CONTO)

Geração polegar


Eles mandam centenas de mensagens via celular e jogam muito videogame



Raquel Maldonado

raquel.maldonado@folhauniversal.com.br




Entre uma mensagem de texto pelo celular e uma partida de videogame com os amigos, os mais jovens nem percebem que, além de conectados com o mundo, eles estão tornando seus polegares mais treinados, ou seja, mais ágeis e com uma velocidade espantosa aos olhos das pessoas que já passaram dos 30 anos. Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que, em média, os adolescentes americanos enviaram e receberam 2.272 mensagens de texto por mês em 2008 – quase 80 torpedos por dia. Na opinião de quem lida diretamente com eles, a rapidez não se resume apenas à hora de digitar no celular. Ao mesmo tempo em que estudam, os adolescentes são capazes de ouvir música, ver televisão, navegar pela internet, conversar e postar uma foto em alguma rede social.


Os celulares de hoje não servem só para falar ou mandar mensagens como há pouco tempo. Agora, eles são os grandes aliados dos adolescentes, que com um simples toque, mandam e recebem e-mails, leem notícias, assistem a vídeos, se divertem com games, enfim, podem fazer tudo o que fazíamos antes “presos” em frente ao computador. Nos EUA, já se fala que esse novo comportamento modificou a forma de criar e difundir campanhas publicitárias, já que o famoso “boca a boca” agora dá lugar ao “polegar a polegar”, pelo menos entre os mais novos.


Inclusive, estudos feitos na Inglaterra apontam que os jovens de até 25 anos estariam usando o polegar como nenhuma outra geração, e que isso teria modificado a estrutura ortopédica do dedo, tornando-o “mais desenvolvido e musculoso”. Os especialistas brasileiros concordam que os mais novos são mais velozes e ágeis ao celular ou jogando videogame, mas seria um exagero dizer que o polegar deles estaria mais desenvolvido. “Hoje, muitos aparelhos, como celulares e videogames, exigem o controle através dos polegares. Isso explicaria o fato de os mais jovens manipularem com maior destreza e rapidez esses equipamentos. Mas ainda é muito cedo para dizer que a mão estaria ficando diferente por isso. Esse tipo de mudança, se ocorrer, vai ser daqui a algumas gerações”, avalia Claudio Santili, do Comitê de Ortopedia Pediátrica, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.


Gustavo Mantovani, cirurgião da mão do Hospital Cecmi (Centro Especializado em Cirurgias Minimamente Invasivas), em São Paulo, acredita que não existe evidência científica de que estamos usando mais o polegar do que antigamente. “Ele sempre foi a nossa principal ferramenta desde que homem é homem. Ele é o que nos diferencia do macaco. O que está mudando agora é para que estamos usando esse dedo. Antes usávamos para costurar ou construir uma cabana. Agora usamos para nos comunicar”, explica o médico.


A única preocupação dos especialistas é com o aumento dos casos de adolescentes com dores nas mãos. “Temos mais casos hoje de tendinite precoce entre os mais jovens. Eles chegam reclamando de dores no punho e na região do polegar por esforço repetitivo e sobrecarga nessa região, causada por jogar muito videogame”, conta Santili. Além disso, os médicos estão atentos ao que pode ocorrer no futuro. “Existe a preocupação de que daqui a uns 20 ou 30 anos haja um aumento de casos de doenças degenerativas por conta de desse tipo de movimento, principalmente artrose na base do polegar”, diz o cirurgião Mantovani.

Raciocínio acelerado


“As gerações anteriores eram mais podadas, viviam mais cercadas e tinham menos recursos e informações. Essa geração digital é mais estimulada e, por isso, faz tudo mais rápido, e questiona mais, também. A tecnologia, quando bem aproveitada, tem um efeito muito positivo nelas. Os joguinhos ativam muitos setores do cérebro e as tornam mais ativas”, destaca Ivan Pistelli, coordenador de pediatria do Hospital Leforte, de São Paulo.


Para a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisa em Psicologia e Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, desenvolver muitas atividades ao mesmo tempo é sinal de agilidade. Entretanto, acabam se perdendo outras características igualmente importantes. “Fazer 50 coisas ao mesmo tempo é bom, pois criamos pessoas mais plurais, mas menos especializadas”, afirma. Opinião parecida tem a psicóloga Heloísa Chiattone do Hospital Leforte. “Essa imersão tecnológica envolve a imensa possibilidade de contatos, trocas e consultas. Tudo isso amplia a visão de mundo, mas, por outro lado, pouco é fixado nessa loucura tecnológica, e corre-se o risco de se aprender tudo de forma superficial e rápida – como na internet”, destaca a especialista.

Esta reportagem foi divulgada por Raquel Maldonado.
no jornal online da Folha Universal.

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